António MR Martins

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Poemas

O que é ser poeta

Ser poeta...

É caminhar
sob as nuvens sorrateiras,
movidas na mente
dos criadores
e nos socalcos do esplendor...
curando bebedeiras.

É usurpar,
temporariamente,
a palavra,
desenvolvê-la
e acumulá-la...
e, num ápice,
oferecê-la,
enfeitada,
à comunidade.

É desenvolver
empatias
e discordâncias,
perante as frases
que constrói,
sem repulsa,
e que com carinho
sempre usa.

É adornar
gestos envolventes,
recheados de travos
de mel,
com flores (das mais belas)
engalanados,
com intenção de superar
todo o fel.

É afrontar
a consciência
de um todo...
e esta medite sobre
as injustiças,
as represálias,
as explorações
e outras sensações,
para que ninguém
caia no lodo.

É conciliar
opiniões,
no âmbito
da plenitude da escrita,
sonhando...
que ela atinja o auge
e nunca se transforme
na desdita.

É provocar
celeuma
em todas as perspectivas
e colmatar
discernimentos...
dando ao uso
das palavras
uma superior
mescla de sentimentos.

É perpetuar
a imagem
da coragem
e da dor,
no sentido
de gerar conflitos
na razão,
para que as
gerações vindouras
possam usufruir
de mais e mais amor!...

..................................................
Já tantos sobre isto escreveram, já tantos sobre isto dissertaram, já tantos sobre isto já disseram, já tantos sobre isto julgaram. E já tantos utilizaram este título, ou semelhante. Mais um, eu...

in "Ser Poeta" (2009), edições Temas Originais

Aprazada reconciliação

Ainda me recolhem na mente
aqueles pontificantes momentos,
que nos fizeram sentir gente
sem rancores e sem lamentos!...

Foram apaziguadoras situações
que fortaleceram empatias...
apagando as velhas questões
onde terão faltado sintonias.

Pacificou-se o entendimento
desde o último contratempo,
sem qualquer razão de ser...

Síntese proveitosa a rever,
nas próximas conjunturas,
esquecendo todas as amarguras!...

in "Ser Poeta" (2009), edições Temas Originais

Terrenos pisados (in)sentidamente

Soalho desencorajador
pelo suplício
suportado pelo peso,
superado
pelo regozijo
de uma saída ileso.

Terra de descontentamento
desânimo dos infelizes,
agrado dos petizes...
ainda inconsequentes
no seu pensar
e com muito
para os contentar.

Solo de virtudes
não generalizadas,
promessa de etapas
aguardadas...
ainda não conseguidas,
jamais vencidas!...

Chão pleno de rubor
e de outras esperanças,
descabidas de entusiasmo,
permitindo novas
andanças
para prosseguir
no marasmo.

Piso calcorreado
sem sentido,
múltiplas vezes pisado
em sítio que não é o mesmo...
fuga de um ser já partido,
nunca por nunca igualado
e foi explorado a esmo!...
 
in blog Poesia Avulsa (http://poesia-avulsa.blogspot.com)

Às vezes

Às vezes
te encontro só,
mesmo que acompanhada...
nostálgica,
pensativa,
desenquadrada,

sem fulgor.

Às vezes
a penumbra
nos invade...
numa força superior
a um desejo,
que se não pode prever
ou antever,
sem rigor.

Às vezes
desmarco-me
das simulações,
destas situações
e fomento ilusões...
infundamentadas,
porque ultrapassadas
e consumadas.

Às vezes
és tão diferente...
eu paciente,
tu intolerante...
ofuscando o passado,
persistentemente,
e julgando o presente...
irrelevante.

Às vezes
eu
também pareço
não o ser!...

in "Ser Poeta" (2009), edições Temas Originais

Tumultos à passagem do sistema

Peripécias desenvoltas
estimularam eloquências,
proferidas palavras soltas...
arcadas as consequências.
Síndroma desdenhado,
omitidas benevolências,
plano reestruturado...
aumentadas as exigências.
Trajecto reencontrado
de uma diferente forma,
apesar de transfigurado
alcançou a plataforma...
Quem do passado torna
jamais se provocará...
no sentido que adorna
os que agora estão cá.
Vindos do lado de lá,
optaram por outro caminho,
num sentido que não vá
comprometer o desalinho...
Entornado todo o vinho
por tentáculo usurpador...
definhou todo o carinho
não mais existiu amor!...

in "Ser Poeta" (2009), edições Temas Originais